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Vereadores eleitos na Costa do Descobrimento podem perder mandatos se acusações de “candidaturas laranjas” em partidos forem confirmadas.

As eleições municipais realizadas no início de outubro na Costa do Descobrimento continuam movimentando a região, com uma série de denúncias sobre o uso de “candidatas laranjas” para burlar a cota de gênero exigida pela legislação eleitoral. Diversos vereadores eleitos e reeleitos em Eunápolis, Porto Seguro, Itabela e Belmonte podem ver seus mandatos ameaçados, caso as acusações sejam confirmadas pela Justiça Eleitoral.

Vereadores Adriano Cardoso e Fábio Arruda, de Eunápolis, podem perder os seus mandatos.

Eunápolis: Partido Progressista na mira

Em Eunápolis, o Partido Progressista (PP) e os vereadores eleitos Adriano Cardoso e Fábio Arruda foram intimados pela Justiça Eleitoral para se defender das acusações de não cumprimento da Lei de Cotas de Gênero. A oposição alega que, após a saída de algumas candidatas, cujas assinaturas de desistência foram feitas em cartório, o partido não manteve os 30% de candidaturas femininas exigidos pela lei. Caso a Justiça confirme a fraude, os dois vereadores eleitos com base no coeficiente eleitoral poderão perder seus mandatos.

Candidata do PRD de Porto Seguro teve o seu pedido de renúncia registrado pela Justiça Eleitoral antes das eleições, mas partido enfrenta questionamentos.

Porto Seguro: Renovação Democrática sob investigação

Situação semelhante ocorre em Porto Seguro, onde o Partido Renovação Democrática (PRD) enfrenta acusações de ter recorrido à candidatura de Sandra Vital Lacerda como “laranja” para cumprir a cota de gênero. Sandra havia declarado e registrado sua renúncia antes das eleições, mas a oposição a considera uma “candidata laranja” e ameaça entrar na Justiça para derrubar a vaga do Vereador reeleito Dr. Anderson.

Candidatos no município de Itabela sem votos

Itabela: Candidatos sem nem o próprio voto

Em Itabela, o partido Republicanos está no centro de uma polêmica envolvendo a candidatura de Derenilta Ferreira Silva, que não obteve nenhum voto — nem o seu próprio. Derenilta, de 53 anos, é acusada de ter sido candidata apenas para cumprir a cota de gênero, sem ter participado efetivamente da campanha ou apresentado a prestação de contas. A situação também envolve o candidato João Arrabal (Avante), que igualmente não recebeu votos. Caso a fraude seja confirmada, o Republicanos, que reelegeu Alex da Pax como o vereador mais votado de Itabela, pode perder sua cadeira na Câmara.

Candidata belmontense não registra nenhum voto

Belmonte: PP enfrenta suspeitas

Em Belmonte, embora ainda não haja movimentações formais na Justiça Eleitoral, a oposição acusa o Partido Progressistas (PP) de também fazer uso de “candidaturas laranjas” e cita o caso da candidata Morena Day, que não registrou nem o seu próprio voto nas urnas. Fontes ligadas ao partido, informaram à nossa reportagem que as acusações feitas pela oposição são apenas desculpas de quem não aceitou a derrota e que as alegações não se sustentam. Essas fontes ainda ressaltaram que o partido tem como comprovar os motivos que levaram Morena Day a não registrar nem o seu próprio voto e que tudo será resolvido no momento em que o partido for chamado para se defender na Justiça Eleitoral. O PP reelegeu os vereadores Luluca da Ambulância e Viriado Benfica.

Consequências das “candidaturas laranjas”

As candidaturas “laranjas” são um artifício utilizado para aparentar o cumprimento da cota de gênero, prevista na Lei Eleitoral, que exige que ao menos 30% das candidaturas de cada partido sejam femininas. Quando comprovadas, essas fraudes podem resultar na anulação de toda a chapa do partido, afetando diretamente os eleitos e beneficiando suplentes de outras siglas. A expectativa é que até o final do ano a Justiça Eleitoral dê andamento às investigações e julgue os casos.