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Ministério Público ajuíza ação contra a Coelba por falhas no fornecimento de energia em Belmonte.

O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) ajuizou uma ação contra a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) devido às constantes interrupções, apagões e falta de energia elétrica que têm assolado o município de Belmonte. A medida judicial surge após promessas não cumpridas pela concessionária em uma audiência pública realizada em maio na Câmara de Vereadores.

Fala do Prefeito Iêdo Elias na Audiência Pública realizada em Maio.

Na referida audiência, a Coelba havia se comprometido a solucionar os problemas expostos pela comunidade, diante da presença de autoridades como o Prefeito Iêdo Elias, o Presidente do Legislativo Luluca da Ambulância e o próprio promotor de Justiça, Dr. Bruno Gontijo, além de vereadores e representantes da sociedade civil. No entanto, a situação de descontinuidade do serviço persistiu, motivando a intervenção do MP.

Serviço Precário e Impactos Devastadores para a População

Segundo o promotor Bruno Gontijo, a falta de energia ocorre a qualquer momento do dia, em dias úteis, feriados e finais de semana. As apurações indicam uma estrutura obsoleta e ineficiente, que carece da devida manutenção preventiva. As consequências dessa negligência estrutural são devastadoras para os moradores de Belmonte. A ação judicial registra que, na localidade de Boca do Córrego, a população chegou a ficar sete dias consecutivos sem energia elétrica, comprometendo inclusive a conservação de vacinas. Durante a audiência pública de maio, cidadãos relataram perdas de alimentos refrigerados, danificação de equipamentos eletrônicos, interrupção de atividades comerciais e produtivas, comprometimento de procedimentos médicos e educacionais, além de riscos à segurança pública e impacto negativo no desenvolvimento econômico do município.

Soluções Paliativas Inaceitáveis

Tanto na audiência quanto nas respostas apresentadas ao MPBA, a Coelba rejeitou as soluções mais abrangentes. O promotor Bruno Gontijo ressalta que as medidas anunciadas pela empresa – como podas de árvores e pequenas correções estruturais – são manifestamente insuficientes diante da gravidade e cronicidade dos problemas, que exigem intervenções profundas e estruturais na rede de distribuição.

Fala do Promotor Bruno Gontijo na audiência realizada em Maio.

Exigências do Ministério Público

Diante da ineficácia das promessas e das soluções paliativas propostas, o promotor de Justiça solicita à Justiça que, liminarmente, a Coelba seja obrigada a adotar as providências técnicas e fáticas necessárias para garantir a adequação e continuidade do serviço essencial de fornecimento e distribuição de energia elétrica na sede do município e em seus distritos. Isso inclui evitar interrupções sem prévia notificação ou justificativa idônea, bem como oscilações e quedas de tensão, sob pena de pagamento de multa.

Além disso, o MP solicita que, quando a ação for julgada, a Justiça condene a Coelba a:

  • Construir uma subestação de energia elétrica na localidade de Barrolândia, conforme proposta técnica já existente desde 2014, para garantir o fornecimento estável e adequado de energia elétrica para o município e seus distritos.
  • Implementar solução técnica específica para o fornecimento de energia elétrica ao distrito de Boca do Córrego a partir do Córrego Vermelho.
  • Realizar revisão completa de toda a rede de transmissão e distribuição de energia elétrica.
  • Pagar dano social e dano moral coletivo, no montante de R$ 500 mil cada.

A comunidade de Belmonte aguarda agora a decisão da Justiça, na expectativa de que a ação do Ministério Público traga o fim dos problemas de energia que tanto impactam o cotidiano da região.