Em um esforço para responder à grave crise que atinge o Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HDLEM), o Governo do Estado da Bahia promoveu nesta terça-feira (30/09) a entrega da segunda etapa da reforma e ampliação do centro obstétrico e inaugurou as novas emergências adulto e pediátrica da unidade. O investimento, segundo a gestão baiana, ultrapassa R$ 6,8 milhões em obras, equipamentos e mobiliário.
A intervenção estadual ocorre em um momento delicado, marcado pela recente rescisão do contrato com o Instituto de Gestão e Humanização (IGH), organização social que administrava o hospital por dez anos, e pela ameaça de suspensão do atendimento de obstetrícia de alto risco gestacional devido à falta de médicos obstetras.
Novas Estruturas para Melhorar o Atendimento
Os investimentos visam aumentar a segurança, eficiência e as condições de atendimento para pacientes e profissionais. O centro obstétrico ganhou:
- Duas novas salas PPP (pré-parto, parto e puerpério).
- Leitos de recuperação pós-anestésica.
- Sala cirúrgica e de curetagem.
A emergência pediátrica foi completamente renovada e agora conta com:
- Sala de telemedicina.
- Espaço de medicação com poltronas.
- Sala vermelha com dois leitos.
- Cinco leitos de observação e consultório médico.
A ala adulta também foi contemplada, recebendo novos leitos de sala vermelha e uma sala para acolhimento.
A Secretária Estadual de Saúde, Roberta Santana, reforçou o caráter regional do hospital, destacando que o HDLEM é responsável por atender diretamente mais de 380 mil habitantes de Porto Seguro e outros sete municípios vizinhos (Eunápolis, Santa Cruz Cabrália, Belmonte, Itabela, Guaratinga, Itagimirim e Itapebi).

Governo Nega Suspensão da Obstetrícia
Apesar da crise e das ameaças de suspensão, o Governo do Estado e a Deputada Estadual Claudia Oliveira garantem a continuidade dos serviços. Presente na cerimônia, a Deputada, vista como a principal pré-candidata do Governador Jerônimo Rodrigues à reeleição, afirmou à imprensa que o serviço de obstetrícia continuará funcionando normalmente, sem detalhar a solução para a alegada falta de profissionais obstetras.
A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB) também emitiu nota negando a suspensão. “O serviço de assistência obstétrica não será suspenso. Mais de 900 profissionais continuarão trabalhando. O Estado tem compromisso em manter a estabilidade e as condições de trabalho para que a assistência não seja prejudicada,” informou a pasta.
Troca de Acusações entre Estado e Municípios
Apesar dos investimentos, a crise na saúde do extremo sul baiano continua sendo palco de uma intensa troca de acusações sobre a responsabilidade pelo colapso do atendimento. A SESAB insiste que 52% dos casos acolhidos na emergência do HDLEM se devem a deficiências na Atenção Primária dos municípios, citando especificamente as demandas de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália.
Os prefeitos, no entanto, rechaçam essa versão. O Prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal, negou a acusação e elevou o tom das críticas, afirmando que a gestão estadual está, na verdade, “sucateando” a saúde e transferindo a culpa aos municípios. A população regional, enquanto isso, aguarda que a injeção de recursos e as novas estruturas se traduzam em uma estabilização definitiva dos serviços essenciais no principal hospital da Costa do Descobrimento.
